Tendências são de alta nos preços de commodities agrícolas para 2020

17 de dezembro de 2019
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Relatório macrossetorial da COSTDRIVERS faz balanço do segundo semestre de 2019, e traz prognóstico para o próximo ano.

Depois de meses de volatilidade, com uma forte queda nos preços até o mês de abril em função, principalmente, das tensões com a guerra comercial entre Estados Unidos e China e dos altos níveis de estoque e oferta global, projeções mostram tendência de alta nos preços do milho e da soja, que devem continuar, pelo menos, até o primeiro trimestre de 2020. Essa foi uma das conclusões do mais recente relatório semestral da COSTDRIVERS, Cenário Macrossetorial Mundial e Brasileiro.

Enquanto as perspectivas são de estabilidade para os preços do petróleo e de recuperação para a produção global de minério de ferro, as commodities agrícolas devem ter alta, especialmente nos preços do milho e da soja, considerando um cenário com o real ainda depreciado frente ao dólar e a possibilidade de escassez do milho no início do ano devido ao baixo nível dos estoques”, avalia Erick Boano, vice-presidente e fundador da COSTDRIVERS.

 

Veja o comportamento de preços dos principais insumos para o ano de 2020:

Gasolina e Diesel: Para o próximo ano, fatores internacionais atrelados ao mercado ainda são um ponto de atenção, podendo haver inversões na tendência em decorrência de possíveis eventos. No entanto, a previsão até o momento é de preços estáveis com pequenos aumentos.

Etanol: Em virtude da percepção de melhoria da economia brasileira e da diminuição das incertezas internacionais ao longo do ano, produção e consumo de etanol apresentam perspectivas favoráveis nos mercados nacional e internacional.

Milho: Cenário produtivo de milho ganhou incerteza após as condições climáticas dos Estados Unidos, com comportamento ligado ao de outras commodities, como a soja.

Soja: A possibilidade de acordo entre China e Estados Unidos aumenta as expectativas de um grande consumo chinês, que pode elevar as cotações internacionais da soja.

Açúcar: Com a expectativa de maior demanda para o próximo ano, os estoques devem diminuir. Uma maior produção também faz parte das expectativas, gerando previsões de um aumento de preços brando.

Fertilizantes: O desempenho da indústria de fertilizantes depende, principalmente, do desempenho da atividade agrícola. Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o PIB Agrícola vai ser superior a 1,4% em 2019 e para 2020 a estimativa é de que o PIB do setor cresça em torno de 3%. Essa perspectiva, junto à condição macroeconômica brasileira, deve favorecer a indústria de fertilizantes.

Metais: A queda dos preços do minério e sinais de uma possível retomada da demanda por aço indicam uma melhora das expectativas para as commodities metálicas em 2020. Pelo lado da demanda, espera-se uma melhora na busca por aços longos e planos graças à expectativa de aceleração dos setores automotivos e de construção civil. A medida anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que determina o retorno das tarifas sobre o aço e alumínio brasileiro que entram no país, pode prejudicar o mercado exportador de metais, se for confirmada.

O alumínio tende à estabilidade, sem expectativas de aquecimento considerável da economia mundial. O impasse comercial entre China e EUA representa uma tendência de sutil alta com expectativas de um acordo que resulte em aumento das importações chinesas. Para o cobre, os contratos futuros mostram níveis de preço similares aos atuais em janeiro de 2020, e as expectativas são de estabilidade para o ano. O Chile ganha destaque nas análises já que o prolongamento de sua crise pode afetar o abastecimento mundial.

Papel: Para celulose, há a expectativa de estabilidade nos preços, com leves tendências de alta para o próximo ano em virtude de diversos produtores nacionais e internacionais que já anunciaram intenções de diminuir na produção. O impacto dessas medidas, no entanto, ainda depende da abrangência do impacto na produção.

Para o papel, há expectativa de manutenção de preços, porém, qualquer mudança nos fatores mencionados anteriormente pode alterar a tendência. Do lado do kraftliner, espera-se que o cenário de balança comercial positiva permaneça para 2020, com tendência de leves aumentos nos preços.

Químicos: Como está presente em praticamente todas as outras indústrias, o crescimento da economia mundial é essencial para um bom desempenho deste setor. As perspectivas de crescimento do PIB mundial feitas pelo FMI, no entanto, demonstram sinais de desaceleração, com a redução das projeções para 2019 de 3,2% para 3,0% e, para 2020, de 3,5% para 3,4%.

A reversão deste cenário depende, principalmente, do avanço das negociações entre China e Estados Unidos. No Brasil, a reforma da previdência e a reforma tributária são pontos que tendem a melhorar as perspectivas. A condição ideal, no entanto, para que a indústria retome de fato a competitividade é a aprovação do mercado livre de gás, que, apesar de estar em andamento, não tem perspectivas para efetivação.

Resinas Plásticas: Para o NAFTA, espera-se que os preços em 2020 acompanhem a tendência dos preços do petróleo e seu contexto geopolítico, sendo que os principais fatores a serem monitorados no próximo ano são as incertezas globais, em especial a guerra comercial entre Estados Unidos e China, e um aumento gradual da demanda asiática e brasileira, além de possível manutenção do corte de produção do petróleo pelos países produtores da OPEP.

No caso das resinas, apesar da queda verificada nos volumes e preços em 2019, foi possível ver uma recuperação a partir do 2º semestre de 2019, sendo que a continuação dessa tendência depende da resolução de incertezas internacionais, havendo, por enquanto, uma projeção de queda ou estabilidade nos preços.

 

Fonte: Notícias Agrícolas (13/12/2019).

Ilustração: Imagem de Couleur por Pixabay


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