COSAG destaca segurança alimentar, produtividade e indústria 4.0 em seu encontro

7 de novembro de 2019
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O agronegócio também é impactado pela tecnologia: 4.0 é a agricultura da automação e da conectividade.

Um dos temas debatidos pelo Conselho Superior do Agronegócio (Cosag) da Fiesp nesta segunda-feira (4/11) foi a política de aumento da produtividade da economia brasileira. Adriano Pitoli, chefe do núcleo de São Paulo da Secretaria de Desenvolvimento da Indústria, Comércio, Serviços e Inovação (SDIC/SPEC) do Ministério da Economia, lembrou que o país já está no rumo da retomada econômica.

Temos um cenário de inflação controlada, taxa de juros nos patamares mais baixos, refletindo na retomada do crédito. A economia está pegando tração agora. Em agosto deste ano com o mesmo mês de 2018, tivemos alta de 8% para crédito para pessoa física e de 5% para jurídica. Já os lançamentos de imóveis saltaram 160% entre setembro agora em comparação ao ano anterior”, disse.

A reforma da Previdência também é apontada por Pitoli como essencial. A natureza da reforma da Previdência é diferente das outras que não são pré-condição para a retomada da economia, segundo ele, pois “seremos surpreendidos pela velocidade da retomada. As empresas devem estar preparadas para surpresas positivas”.

Pitoli também apontou o investimento em educação, infraestrutura, programas de privatizações e parcerias público-privadas como pilares para a retomada.

Uma agenda prioritária nossa é a de acelerar o setor de cabotagem. Estamos trabalhando para atração de investimento”, avaliou. Segundo Pitoli, a agricultura sofre com transporte e logística: “Tivemos aumento significativo de escoamento da produção agrícola, mas temos que ter modais que permitam eixos logísticos competindo entre si. Outro ponto importante para a competitividade do agronegócio é a abertura econômica. Não dá para esperar mais. Precisamos abrir a economia brasileira”.

Outra pauta da reunião foi a agricultura 4.0. Para Silvio Crestana, pesquisador da Embrapa Instrumentação Agropecuária, a soberania de um país está em ter segurança alimentar, energética e agora também cibernética.

Quem não tiver segurança cibernética, vai estar fora do mundo. Basta ver a guerra comercial entre Estados Unidos e China, que é uma guerra tecnológica. Além disso, Estados Unidos, China e Japão são os países que mais investem em pesquisa e desenvolvimento. Nessa correlação, o Brasil está em 8º lugar”, observou.

A tecnologia disruptiva também se aplica à agricultura, com uso de drones, impressões 3D, sensores, blockchain, inteligência artificial.

Todas elas estão ligadas pela inteligência das coisas. O blockchain vai funcionar só por um tempo. O computador quântico vai ‘bater’ o blockchain. A tecnologia passa pela renovação da automação. Em 2035 haverá 1 trilhão de computadores conectados, mas de forma inteligente”, disse. Ainda segundo Crestana, 4.0 é a agricultura da automação, da conectividade. “Já existe caminhão sem operador”, pontuou.

Por fim, Antonio Carrere, diretor de marketing para a América Latina da John Deere Brasil, apontou que em breve o mundo deve atingir a marca de 11 bilhões de pessoas que vão morar em cidades.

Isso gera grande oportunidade para o mundo agrícola. Precisamos produzir mais alimentos usando menos terra e recursos de energia”, observou.

Dados apresentados por Carrere mostram que, até 2050, o Brasil estará em 6º lugar entre as maiores economias do mundo, na rasteira de China, EUA, Índia, Indonésia e Japão. O país deve ampliar sua área em 70%, produtividade em 250%, produção em 500%, além de poupar mais de 500 milhões de hectares.

O Brasil agrícola é uma potência, sendo o 1º em produção e exportação. Não precisamos de expansão de área, mas aumento de eficiência e singularização. As decisões tomadas não serão mais baseadas em intenção, mas em dados. Precisamos investir muito em conectividade. Dados são combustíveis, não escapamentos”, concluiu.

 

Fonte: Fiesp (05/11/2019).

Ilustração: Alimento foto criado por pressfoto – br.freepik.com


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