Deputado tocantinense quer limitar plantio do grão no Tocantins

19 de setembro de 2019
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De um lado, alguns atores do agronegócio tocantinense tentando subverter a ciência e as boas práticas agrícolas que garantem, por meio da sustentabilidade, que a terra seja produtiva infinitamente, ou dentro dos limites necessários ao equilíbrio do planeta e do bem estar e segurança alimentar da humanidade: o vazamento, denunciado por nós neste site, de que há um grupo de sojicultores que pleiteiam o fim do vazio sanitário nas várzeas do Tocantins, um dos maiores polos de produção de sementes de soja do Brasil.

Do outro lado, três projetos de lei que visam barrar a marcha da cultura desta oleaginosa no Tocantins. Propostas e conceitos vindos de pseudo intelectuais, artistas em busca de visibilidade ou movidos por conceitos falsos a respeito da agricultura brasileira, é até aceitável. Eles não sabem o que falam. Mas vindo de um parlamentar experiente em mandatos legislativos e executivos é de fazer as lagartas-falsa-medideiras, largar a medição e correr lavoura afora. São projetos com vieses políticos e dentro da onda radical de combate ao agronegócio.

Três projetos de lei (PL), apresentados pelo deputado estadual Zé Roberto Lula (PT-TO), para discussão e votação na Assembleia Legislativa do Tocantins, se aprovados e sancionados pelo Poder Executivo, simplesmente vão inviabilizar a cultura da soja no estado do Tocantins, via de regra, de outros grãos, inviabilizando o desenvolvimento socioeconômico do Tocantins. São eles, o PL 248, PL 249 e o PL 250, ambos de 6 de agosto de 2019.

O primeiro institui a “Política Estadual de Redução de Agrotóxico” (PEARA); o segundo, mais absurdo, “estabelece limites para o plantio de soja no estado do Tocantins e adota outras providências” e o último, “dispõe sobre o uso de aeronaves na dispersão de agrotóxico sobre as lavouras e a população”.

Anexo a este artigo os três projetos para que que o leitor tire suas próprias conclusões. Da minha parte, vejo que eles revelam falta de conhecimento da dinâmica da agricultura, da importância da soja na economia de um município, estado ou no país e da presença fundamental da soja nos produtos farmacêuticos, nos cosméticos, na indústria química de uma forma geral e, acima de tudo na alimentação humana. Soja não se resume apenas no óleo extraído dela.

Defender o meio ambiente, a saúde da população e a agropecuária sustentável é dever de cada um de nós seres humanos, principalmente do homem público, que vivemos em sociedade. Mas essas defesas devem ser feitas embasadas por conhecimento de causa, sem paixões e sem vieses políticos. Dos três projetos do parlamentar tocantinense o mais absurdo é o 249 que estabelece limites ao plantio da soja no estado do Tocantins.

Eu sugiro ao parlamentar a imaginar, junto com a sociedade, comércio, indústria e serviços de seu município, Colinas do Tocantins, que é um dos polos agrícolas e de logística do estado, a microrregião de sua cidade sem a cultura da soja. Seria o caos e o retrocesso social e econômico”.

Diz ele, na sua justificativa:

Cediço (do conhecimento de todos) que na monocultura da soja traz impactos econômicos (atividade concentradora de renda, empobrecimento dos municípios, benefícios fiscais em grande volume, substituição das atividades econômicas já consolidadas, etc.) sociais (migração, moradia, pressão por serviços públicos, etc.) e ambientais (desmatamentos, conservação do solo, aumento expressivo do consumo das reservas hídricas, dentre outras)”.

Ora, este preâmbulo da justificativa do deputado, assim como nos outros PLs é carregado de equívocos e ojeriza ao agronegócio. Eu sugiro ao parlamentar a imaginar, junto com a sociedade, comércio, indústria e serviços de seu município, Colinas do Tocantins, que é um dos polos agrícolas e de logística do estado, a microrregião de sua cidade sem a cultura da soja. Seria o caos e o retrocesso social e econômico. É certa a informação dele que a soja, em si, não gera impostos para o município onde é produzida (Lei Rouanet).

Porém, toda a sua cadeia produtiva é responsável pelo fortalecimento de todas as cadeias comerciais, de serviços e industriais, que geram impostos. A soja, sobretudo nas regiões do Cerrado no Centro-Oeste, Norte e Nordeste, abriu novas fronteiras, melhorou e construiu cidades; gera milhares de empregos e rendas e fomento outras cadeias produtivas na agricultura e na pecuária. Quanto a questão do meio ambiente, é outro equívoco.

O Brasil tem a mais rígida legislação ambiental; o país preserva mais de 66% de seu território e a agricultura não está ao bel prazer de aventureiros. No caso do Tocantins, dizer que a soja é monopólio e que não trás resultados para sua sociedade é de uma ignorância sem tamanho. Por fim, a soja não é monocultura no estado, como não é mais em lugar nenhum do Brasil. O agricultor trabalha, no vácuo da soja, com muitas outras culturas.

Se prevalecer, durante a tramitação desses três projetos na Assembleia Legislativa do Tocantins, o conhecimento da realidade da agricultura no Tocantins e em todo o Brasil, eles morrerão na sua votação em plenário.

 

Fonte: Cerrado Rural Agronegócios (18/09/2019).


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