Safra de soja: expectativa positiva, mas com margens de lucro apertadas

9 de setembro de 2019
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Presidente da Aprosoja-RS acredita que para o produtor ter êxito na próxima safra de verão terá de racionalizar insumos e apostar no travamento de preços.

As máquinas que atuavam no plantio dos cereais de inverno mal saíram da lavoura e o produtor rural já está de olho no próximo cultivo: a soja. A Emater/RS-Ascar divulgou durante a Expointer que o RS viverá a maior safra de verão da história do estado: com 33,3 milhões de toneladas de grãos.

O dado da entidade aponta que boa parte dessa produção histórica será atribuída à oleaginosa, que deve colher a marca de 1,2 milhão de toneladas a mais. Com isso, os produtores gaúchos deverão apresentar uma colheita que beire os 19,7 milhões. A área e a produtividade também devem aumentar em 1,93% e 4,31%, respectivamente, o que significa um acréscimo de 112 mil hectares e 137 kg/ha, chegando a 5,9 milhões de hectares de soja e 3,3 mil kg/ha.

Para a safra 2019/2020, o presidente da Associação dos Produtores de Soja do Rio Grande do Sul (Aprosoja-RS) Luis Fernando Fucks, estima que os custos fiquem mais elevados na parte de insumos, defensivos agrícolas e adubos. Em alguns pontos do estado, o plantio já deve começar na metade deste mês, mas a maioria deve dar o pontapé inicial em outubro.

Nessa preparação para a safra, Fucks explica que a partir de agora, com as condições climáticas favoráveis, os produtores começam a fazer a dessecação, para controle de invasoras. Sobre a estimativa da Emater, Fucks diz que a entidade está “bem otimista”, mas que é plausível e possível chegar nestes índices se o clima favorecer, principalmente em fevereiro.

Ele acredita que, sim, a expectativa – ainda mais com os números apresentados – pode ser positiva, porém a safra será marcada por margens de lucro apertadas.

Qualquer situação desfavorável na lavoura, que tem mais fatores variáveis do que previsíveis, pode se traduzir em prejuízo”.

Fucks argumenta que para que essa margem não fique tão apertada e que o produtor possa ter mais rentabilidade, será necessário racionalizar a utilização de insumos.

O que puder reduzir, que tenha resultado duvidoso, por exemplo, uma adubação foliar, suplementar, adubação de sementar suplementar, o pessoal pode cortar”.

Além disso, ele acredita que os agricultores serão mais comedidos no uso de fungicidas e inseticidas e apostar no monitoramento constante, para saber a hora exata de aplicar.

 

MERCADO

Na questão de mercado, Fucks avalia como “complicado”.

Existe uma incerteza total, existe uma situação que parece que o mercado vai se alinhar, mas não se alinha, se recua, pode ser que siga em uma tendência de alta. O diferencial mesmo é a elevação do dólar”.

Entretanto, pontua que “é uma incógnita” saber se os preços ficarão como estão hoje. Na Cotrijal, a cotação da saca de 60 kg de soja está em R$ 75,50. Para ter um maior controle dos preços e não ter surpresas, o presidente da Aprosoja/RS orienta que os produtores façam, antes da colheita, o travamento dos preços.

O produtor deve ter, a modalidade mais conhecida e que o produtor sempre fez, é o contrato futuro, que se fixa hoje o preço para se entregar futuramente. O preço flutua, é baseado todo no dólar. Procurar esses momentos de pico no preço ou quando der uma reagida e já travar com o seu custo de produção. O produtor tem que estar preparado para toda a despesa que vai ter e ter certa reserva”.

 

2,4-D

Além da preocupação com a qualidade da semente, insumos e condição climática, o produtor deverá prestar a atenção na aplicação do herbicida 2,4-D.

Existem quatro instruções normativas, 5, a 6, a 7 e a 9 que vão permitir o uso adequado e o produtor deve, mesmo quem não está naqueles 24 municípios que são prioridade, fazer a aplicação obedecendo as condições ideias: elevada umidade, baixa temperatura e pouco vento e usar os bicos adequados, com a pressão adequada”.

Os municípios são: Alpestre, Bagé, Cacique Doble, Candiota, Dom Pedrito, Encruzilhada do Sul, Hulha Negra, Ipê, Jaguari, Jari, Lavras do Sul, Maçambara, Mata, Monte Alegre dos Campos, Piratini, Rosário do Sul, Santiago, São Borja, São João do Polesine, São Lourenço do Sul, Santana do Livramento, Silveira Martins, Sobradinho e Vacaria. Nestes, as instruções já têm validade. Para o restante do Estado, as instruções normativas valerão a partir de 2020.

O dirigente ressalta que a molécula é uma ferramenta importante no controle de invasoras e que é essencial o produtor aplicar de forma correta para evitar problemas com as culturas sensíveis, como a da maçã e uva.

Não adianta ter o melhor equipamento de pulverização, se ele (produtor) utilizar com as condições climáticas não adequadas, com muito vento, ele vai fazer a pior aplicação possível”, finaliza.

 

Fonte: JE Acontece (09/09/2019).


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