Ministra visitará países árabes em setembro

15 de agosto de 2019
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A ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, está se preparando para viajar aos países árabes em setembro. A agenda ainda não está toda definida, mas há possibilidade de ela visitar a Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Egito e Kuwait.

Em entrevista exclusiva à ANBA – Agência de Notícias Brasil Árabe, a ministra falou sobre as expectativas para a viagem. Cristina pretende verificar a possibilidade de introdução de novos produtos nos mercados árabes, como lácteos e frutas, e conversar com os sauditas sobre a exportação de carne de frango. No começo deste ano, algumas plantas brasileiras tiveram que deixar de vender frango halal para o país.

A ministra acredita que o Brasil tem nos países árabes um bom destino para o gado em pé e defende que o mercado brasileiro também receba mais produtos de países árabes. O fluxo dos navios carregados na ida aos países árabes e na volta ao Brasil – neste último caso, com fertilizantes – pode ser uma alternativa para baratear os fretes.

Se a gente tiver essa mão de volta, com certeza teremos fretes mais baratos”, disse.

Cristina esteve recentemente com representantes dos Emirados Árabes Unidos e foram levantados vários temas na conversa, como a possibilidade de produzir feno no Brasil para fornecer ao país do Golfo e a compra de terras por estrangeiros. A ministra afirmou que não é contra que estrangeiros tenham terras no Brasil, com limitações, mas ressaltou que essa é uma opinião pessoal.

O Brasil abrindo seus mercados, fazendo essa economia liberal, acho que isso faz parte”, afirmou Tereza Cristina.

Leia abaixo os principais trechos da entrevista:

 

Os árabes cobram que o Brasil precisa comprar mais deles já que exporta bastante para lá. O Brasil importa fertilizantes dos árabes, mas é algo que oscila, e em gestões anteriores o Brasil começou a investir na produção nacional de fertilizantes. O que o país fará agora em relação aos fertilizantes?

Nós precisamos estruturar melhor essas importações. O que vem acontecendo? Ainda não temos essa cadeia muito estruturada. Nós tivemos problema no passado, uma importação maior de fertilizantes, mas eu acho que nós podemos planejar o nosso crescimento porque temos jazidas aqui. Nós precisamos ter a exploração arrumada e hoje estamos deficientes nesse setor. Podemos avançar mais nessas importações, mas fazendo o dever de casa para ter um equilíbrio, produzindo aqui também. Noventa por cento do potássio utilizado no Brasil é importado, a ureia importamos 40% a 50%. Hoje a gente importa também um tipo de fósforo, o MAP. Nós precisamos organizar melhor essa cadeia. Temos agora, com essa política do governo nova do barateamento do preço do gás, a possibilidade de fazer ureia mais barata no Brasil. Acho que podem surgir mais plantas para fabricar ureia aqui, evitando o [custo do] frete que vem lá de fora. Hoje a gente traz muita ureia [do exterior] porque o gás é muito caro e temos quantidade insuficiente de plantas para atender o tamanho da nossa agricultura.

 

A senhora acredita que é preciso investir na produção nacional de fertilizantes, mas sem a Petrobras, já que ela está fazendo desinvestimento no setor?

Exatamente. Esse desinvestimento é que deu um desequilíbrio ainda maior aqui [no mercado de fertilizantes] no Brasil.

 

Os exportadores que atendem o mercado árabe dizem que o transporte em navio para países árabes tem custo de frete alto. Segundo alguns deles, o navio vai carregado com nossas commodities e não tem o que trazer de volta, então o navio vai até a Europa para voltar carregado, o que torna o frete mais caro. O que é possível fazer em relação a isso?

Eu tenho conversado com o ministro Tarcísio, da Infraestrutura, sobre o transporte marítimo, cabotagem. O Brasil precisa evoluir nisso aí. Eu acho importante realmente ver como pode haver esse fluxo não só de ida, mas de volta, porque, se a gente tiver essa mão de volta, com certeza vamos ter esses fretes mais baratos, melhorando a vida aqui do produtor rural que precisa usar fertilizantes, e ficando mais barato para que utilizem o transporte marítimo daqui para lá.

 

Poderia ser o fertilizante essa solução?

Pode ser.

 

Fonte: Comex (14/08/2019).


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