França bate recorde de produção de alimentos orgânicos

6 de junho de 2019
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A agricultura orgânica registrou um crescimento histórico na França em 2018, com 2 milhões de hectares plantados, o equivalente a 7,5% da área agrícola útil do país. Esse aumento permite conter as importações de produtos orgânicos para atender ao crescente apetite dos consumidores. No total, 9,5% dos agricultores franceses se converteram à cultura biodinâmica, sem agrotóxicos, oferecendo 14% dos empregos do setor.

Para Florent Guhl, diretor da Agência Bio, organismo público que monitora a evolução do setor na França, o aumento da produção de orgânicos no ano passado representa um marco.

Estamos na boa direção para alcançar a meta de 15% de superfície orgânica cultivável em 2022”, declarou.

Houve um progresso notável nas culturas de cereais, oleaginosas e leguminosas, destaca o relatório divulgado pela agência nesta terça-feira (04/06). Comparado ao ano de 2017, o salto das terras agrícolas orgânicas foi de 31%.

Em 2013, apenas 1% das culturas de campo na França eram orgânicas, hoje estamos em 4,3%”, comemorou Guhl.

Este aumento deve-se em particular ao aumento significativo nas capacidades de processamento e armazenamento, à abertura de silos e moinhos dedicados ao trigo orgânico, como o da cooperativa Valfrance, perto de Melun (a 58 km de Paris) ou do grupo Soufflet em Lozanne, no departamento do Rhône (sudeste).

Para chegar a 15% da superfície agrícola utilizável em 2022, a agência estima que 8% das grandes culturas de campo terão que ser orgânicas. No caso dos legumes secos, 40% das plantações já se converteram.

 

Produção orgânica ganha os vinhedos

Na viticultura, a evolução para um produto sem agrotóxicos também foi expressiva: 20% a mais em um ano, o que correspondia a 12% dos vinhedos do país no fim de 2018. Para estimular os produtores a continuar nesse caminho, criou-se o selo CAB (conversão em agricultura biodinâmica), uma etiqueta branca sobre fundo azul. Essa etiqueta ajuda os enólogos a explicar aos consumidores que o vinho orgânico custa mais caro durante o tempo de transição entre as duas formas diferentes de cultura, uma adaptação que requer pelo menos três anos.

A recepção positiva do mercado deve fazer com que 14.000 novos hectares de videiras estejam em conversão orgânica no ano que vem”, disse Guhl.

 

“Grande impacto nas regiões”

O diretor da Agência Bio também destaca o “grande sucesso” das frutas e hortaliças orgânicas, cuja produção foi estimulada por uma nova legislação, a lei Egalim, que estabeleceu o objetivo de chegar a 20% de produtos orgânicos nas cantinas escolares e restaurantes de empresas até 2022. O incentivo fez com que 40% das ameixas e pêssegos destinados a produtos processados venham, atualmente, da agricultura orgânica. Na criação de aves poedeiras, a produção de ovos “bio”, como dizem os franceses, aumentou em 31%, mas representa apenas 13% do total.

O setor discute atualmente se deve ou não aquecer estufas para expandir o período de produção de frutas e legumes orgânicos. Os agricultores que abandonaram os agrotóxicos há muito tempo temem que a demanda por orgânicos cresça muito rápido e provoque um aumento das importações de ou leve à industrialização da produção francesa, o que eles também não consideram desejável.
A agência francesa de fato nota que o aumento do consumo de produtos orgânicos se deve à adesão dos supermercados, que passaram a oferecer essa alternativa às famílias. As redes varejistas passaram a vender a metade da produção orgânica nacional, ultrapassando as lojas especializadas. A venda direta representa apenas 12% do mercado.

Assim como em 2017, 69% dos alimentos orgânicos consumidos na França foram produzidos no país. O organismo também destaca o “grande impacto nas regiões” do desenvolvimento desse tipo de cultura do futuro e o “forte dinamismo” do setor. As quatro regiões que mais se destacam são Occitanie (9.403 fazendas), Nouvelle Aquitaine (6.157), Auvergne-Rhône-Alpes (5.858) e Pays de Loire (3.270). Mas é a ensolarada região Provence-Alpes Côte d’Azur que dedica a maior parte de suas superfícies agrícolas a alimentos orgânicos (25%).

 

Fonte: RFI (04/06/2019).


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