Mais de 40% dos produtores realizam agricultura de precisão em MT

2 de julho de 2015
As estratégias de precisão mais adotadas são mapa de fertilidade e mapa de colheita.

Quase a metade dos produtores de soja em Mato Grosso (42%) afirma fazer uso de agricultura de precisão em suas lavouras. Em algumas regiões, como o sudeste e o oeste do Estado, o índice ultrapassa 50%. O dado foi revelado pelo estudo inédito do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), intitulado Pesquisa sobre Mecanização Agrícola em Mato Grosso, tabulado neste ano a pedido do Sistema Nacional de Aprendizagem Rural (Senar). Isso significa, para o Imea, que os produtores do Estado, principalmente aqueles que tiveram como foco o investimento em eficiência, estão consolidando as práticas de agricultura de precisão.

A informação corrobora os dados da Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) que demonstra o aumento de 90% no volume de colheitadeiras vendidas no Estado entre 2009 e 2013, em comparação com os cinco anos anteriores. O crescimento da compra de tratores de roda em Mato Grosso foi ainda maior, de 107%, conforme a entidade, no mesmo período.

O Imea, instituto que pertence ao Sistema Famato/Senar, entende que o cenário dos mercados da agricultura em Mato Grosso nos últimos cinco anos e o acesso ao crédito levaram o produtor a fazer a renovação do seu parque de máquinas. Consequentemente, oportunizaram aos agricultores do Estado, principalmente àqueles que investiram em eficiência da produção, realizar agricultura de precisão com a aquisição de novas tecnologias para suas propriedades.

“Vale destacar que essa renovação do parque de máquinas no Estado trouxe uma série de novas oportunidades para os produtores, com destaque a automação necessária para a realização da agricultura de precisão”, traz o Imea na análise.

As estratégias de precisão adotadas pelos produtores e questionadas no levantamento são mapa de fertilidade (41% realizadas), mapa de colheita (18%), mapa de pragas, doenças e plantas daninhas (15%), aplicação por taxa variável (36%) e aplicação por zona de manejo (36%). A região mais mecanizada do Estado, a oeste – onde 54% dos produtores fazem agricultura de precisão – tem 50% de incidência na maioria desses indicadores.

A expectativa é que o resultado da utilização de ferramentas da agricultura de precisão seja a diminuição de custos de produção, justamente em um mercado que se mostra desfavorável em relação aos preços, de acordo com o Imea.

MÃO-DE-OBRA – Porém, nem tudo são flores. Embora o dado expressivo da presença de práticas da agricultura de precisão em 42% das lavouras do Estado, a maioria dos agricultores entrevistados no estudo, proprietários de 710 mil hectares de áreas nas diversas regiões, aponta que não utiliza os maquinários com toda sua capacidade em virtude da falta de mão-de-obra qualificada para tal. Ao menos 88% deles alegam ser a falta de profissionais capacitados o principal gargalo para adotarem esses novos processos de produção.

A pesquisa também revela que a maioria dos trabalhadores que operam os maquinários de ponta nas fazendas recebeu treinamento das empresas que venderam os equipamentos. O nível de satisfação desses funcionários com os cursos recebidos não atinge 50% deles em nenhuma região do Estado.

Sendo assim, como conclusão o estudo aponta uma lacuna de conhecimento da mão-de-obra e a necessidade de melhoria na qualidade das capacitações desses profissionais. É nesse cenário que se destaca a importância da ampliação dos cursos de agricultura de precisão oferecidos pelo Senar em Mato Grosso.

Além de oferecer o treinamento em Tecnologia de Precisão desde 2013, curso que prepara profissionais que já atuam na operação de máquinas para utilizar os instrumentos tecnológicos de precisão embarcados, o Senar de Mato Grosso iniciou mais uma capacitação na área. Começa a ser oferecida, neste ano, a Qualificação em Agricultura de Precisão, uma preparação de 120 horas destinadas a pessoas que nunca atuaram no mercado da agricultura de precisão para conhecer todos os passos do processo e aplicá-los nas propriedades.

A capacitação é dividida em etapas que vão desde o conhecimento da tecnologia até a fase de reconhecer os indicadores gerados por ela para realizar o gerenciamento dessas informações.  A iniciativa já é fruto das constatações apontadas pelo estudo do Imea, que demonstra que os produtores não utilizam toda a capacidade de suas máquinas justamente pelo fato de a mão-de-obra não estar qualificada para tal.

O produtor de soja de Mato Grosso valoriza a capacitação de seus trabalhadores. A constatação baseia-se na percepção de 71% dos entrevistados no estudo quanto ao aumento de eficiência nas lavouras a partir da qualificação dos trabalhadores nas fazendas.

A pesquisa do Imea foi realizada por amostragem durante o quarto trimestre de 2014, com questionário aplicado a 318 produtores do Estado em 59 municípios, responsáveis pelo equivalente a 8% da área de soja de Mato Grosso. Revelou, dentre vários números, que a propriedade média no Estado tem 2.450 hectares, sendo as maiores áreas da região oeste.

Fonte: Senar MT (02/07/2015)


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