Expansão da soja pode desacelerar, mesmo com demanda em alta

29 de agosto de 2018
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O crescimento do plantio de soja no Brasil, maior exportador mundial da commodity, pode desacelerar apesar de um recente "boom" na demanda.

O noticiário poderia incentivar os produtores a acelerar a expansão da área plantada: a demanda da China pelo produto brasileiro está em alta em meio à guerra comercial com os EUA e a alta do dólar beneficia a renda dos agricultores, que vão receber mais reais pelo mesmo volume vendido. Mas incertezas rondando o plantio e a comercialização da nova safra podem levar a um crescimento de área abaixo do potencial.

A área cultivada com soja deverá crescer 3,2 por cento na safra 2018-2019, para 36,3 milhões de hectares, de acordo com a estimativa média de uma pesquisa da Bloomberg com nove analistas. A expansão será menor que a do ano passado, de 3,7 por cento, e ficará abaixo da média de cinco anos, de 4,9 por cento, segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O plantio terá início em meados de setembro.

A seguir, os principais fatores que dificultam uma expansão de área acima da média:

Preços de frete

O governo implementou uma tabela para preços mínimos do frete rodoviário após a greve dos caminhoneiros no final de maio, resultando em um aumento nas despesas com transporte. O setor agrícola contesta a norma, mas os produtores ainda aguardam uma decisão do Supremo Tribunal Federal. Há, portanto, uma incerteza em relação aos custos com transporte na próxima safra, o que afeta o mercado porque tradings e processadoras de soja descontam os custos de frete dos preços pagos aos produtores. Quanto maior o valor do frete, maior será o desconto nos valores recebidos pelos agricultores.

Os produtores costumam usar os recursos de vendas antecipadas para financiar a compra de sementes e outros insumos necessários para o plantio.

Decisão sobre glifosato

No início deste mês, uma juíza federal suspendeu o uso do herbicida glifosato a partir de 3 de setembro, enquanto o Ministério da Saúde reavalia sua toxicidade. Os produtores brasileiros se tornaram extremamente dependentes do uso desse herbicida nos últimos anos, e não existe nenhum substituto que possa substitui-lo imediatamente.
Se a decisão do tribunal se mantiver, os produtores terão sérios problemas para preparar o solo para a semeadura, segundo o ministro da Agricultura, Blairo Maggi.

A Advocacia-Geral da União entrou com recurso contra a liminar da juíza. Mas se a proibição for mantida, pode reduzir a projeção para a área de soja. Atualmente, espera-se que a semeadura cresça 4,4 por cento, para 36,7 milhões de hectares, a segunda maior expansão esperada por analistas consultados pela Bloomberg.

Concorrência do milho

A soja roubou área do milho nos últimos anos. Em 2017-2018, a área plantada com milho no verão, ou milho primeira safra, caiu 7,5 por cento para 5,1 milhões de hectares, a menor desde pelo menos 1976, quando começam os dados da Conab. Os produtores estão muito resistentes a reduzir a área de milho novamente diante da expectativa de alta nos preços no início do próximo ano. A área de milho verão do ano passado pode ter atingido o seu piso.
Perspectiva de preços menores

A recente disparada dos preços da soja, que recentemente atingiram os maiores valores em dois anos no Brasil, pode não perdurar. As questões de frete do Brasil, juntamente com a incerteza sobre quanto tempo a briga comercial entre China e EUA vai durar, podem significar preços mais baixos do que os atualmente praticados.

Os produtores em Sorriso, no Mato Grosso, obtiveram R$ 73 (US$ 17,85) por saca de 60 quilos na última semana, mas as ofertas para entrega em fevereiro estão em R$ 65 por saca. Embora os preços para a próxima safra continuem rentáveis para o produtor, os produtores ficam receosos em aumentar muito a área ao comparar as ofertas com os valores atuais.

A forte queda dos preços na Bolsa de Chicago nos últimos meses contribui para a cautela do produtor apesar de os prêmios pagos pela soja brasileira e a alta do dólar terem compensarem a desvalorização global da commodity até aqui. Uma parcela relevante dos produtores é financiada em dólar.

Fonte: Economia UOL (28/08/2018)


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