Atraso na entrega de fertilizantes ameaça nova safra de verão do Brasil

27 de junho de 2018
normal_Fertilizantes__Porto_de_Paranagua_1
A falta de acordo entre as partes envolvidas na questão dos fretes, tem causado uma paralisação muito grave nas entregas. Milhões de toneladas de fertilizantes precisam ser entregues, e se isso se atrasar mais, não haverá tempo suficiente para distribuir todo fertilizantes.

O entrave em relação ao futuro dos preços dos fretes no Brasil tem causado um problema logístico muito severo e o setor produtivo tem sido um dos que mais sente os impactos logísticos. Um levantamento feito pela CNA (Confederação de da Agricultura e Pecuária do Brasil) mostrou que há mais navios parados nos portos brasileiros do que o de costume para esta época do ano e quede 60 deles, 35 estão carregados com fertilizantes. A entrega dos insumos está atrasada para todos os estados produtores e as consequências para a nova safra de verão do país poderão ser bastante sérias.

As indecisões do governo federal e uma falta de acordo entre as partes envolvidas na questão dos fretes tem provocado uma paralisação bastante grave na entrega dos insumos e uma das primeiras consequências desse caos logístico poderia ser uma drástica redução da produção.

São milhões de toneladas de fertilizantes que precisam ser aplicados em 35 milhões de hectares. Isso pode se atrasar ainda mais com essa falta de solução do frete podendo se estender até agosto, não haverá tempo suficiente para distribuir todo fertilizante, então muitos não poderão plantar.

Segundo dados da Anda (Associação Nacional para Difusão de Adubos), em maio as entregas de fertilizantes foram de de 1,78 milhão de toneladas ao consumidor final. Embora maior do que no mês anterior, o volume entregue se mostrou 27,3% menor do que em maio de 2017. Ao se contabilizar os primeiros cinco meses do ano, as entrega somaram 9,84 milhões de toneladas, 4% mais baixas do que no mesmo período do ano anterior.

Os caminhões que descarregavam grãos nos portos voltavam para o interior carregados de insumos, com valores menores de fretes, otimizando os custos logísticos, e isso já não é mais possível. Em uma de suas declarações sobre o assunto, o ministro Blairo Maggi disse “os fertilizantes eram frete de retorno, mas agora viraram frete principal e tabelado”.

E essa é mais uma carga para o produtor rural. A soja e o milho estão com frete mais caro, o adubo está com frete mais caro e é o produtor que tem que arcar com isso e nós já não aguentamos”, diz o vice-presidente da Aprosoja PR e diretor da Aprosoja Brasil, José Eduardo Sismeiro.

Os fertilizantes já eram para ter rodado 60% e está entre 30% e 40%, e isso pode sim atrasar a nova safra de verão. As empresas até abriram suas vendas CIF – para retirar o produto no fabricante – mas elas não saem porque o frete não está definido. O governo tem que repensar essa tabela, não existe tabelamento em uma economia aberta. As dificuldades aumentaram e a rentabilidade caiu”, diz.

Para Antônio Galvan, presidente da Aprosoja MT, um dos maiores problemas desse travamento é o potencial produtivo que já poderia estar ameaçado na safra 2018/19.

A entrega dos fertilizantes está parada, aqui ninguém recebeu e, por conta disso, se parou de falar em um aumento de área já que não se sabe se os fertilizantes vão chegar e quando vão chegar”.

O presidente explica que no primeiro momento, o impacto não é tão grande porque os fertilizantes são colocados a lanço na sequência do plantio.

Mas, o atraso dessa colocação pode trazer um problema sério de produtividade mais à frente”, afirma Galvan.

Fonte: Notícias Agrícolas


Sobre

A Abisolo, Associação Brasileira das Indústrias de Tecnologia em Nutrição Vegetal, foi fundada em março de 2003 com o objetivo de representar e defender os interesses das empresas produtoras de importantes insumos que colaboram para o aumento da sustentabilidade e produtividade agrícola brasileira.


Av. Paulista, 726 – Ed. Palácio 5ª Avenida Cj 1307 – Bela Vista

(11) 3251.4559