Incerteza política ameaça preço do cobre e outras commodities

1 de dezembro de 2017
Para presidente de mineradora, retorno do cobre para US$ 10.000 por tonelada é possível.

A incerteza política no mundo desenvolvido representa uma ameaça maior para os mercados de commodities industriais do que qualquer desaceleração desestabilizadora da China, a principal consumidora, segundo a maior produtora de cobre do mundo.

“O sistema político dos EUA, o sistema político britânico e os europeus estão dando seu melhor para maximizar a incerteza, de certa maneira”, disse Óscar Landerretche, presidente da mineradora estatal chilena Codelco, em entrevista em Xangai. “Se os mercados financeiros globais tiverem uma crise, ou se a economia atravessar uma crise devido a um fracasso na política pública, isso acabará contaminando os mercados de commodities.”

O cobre subiu 22 por cento neste ano, avançando junto com outros metais, em um momento em que a aceleração do crescimento em todo o mundo desenvolvido se combina com a recuperação da demanda na China. Analistas como o Goldman Sachs e o hedge fund Shanghai Chaos Investment Group apontaram para as medidas do presidente Xi Jinping para desalavancar o sistema e limitar o setor imobiliário, grande usuário de commodities, como os principais obstáculos.

“A economia chinesa é uma economia poderosa que mostrou que pode se gerenciar de forma muito madura”, disse Landerretche, que é ex-professor de Economia da Universidade do Chile. Ele comparou os políticos ocidentais, “que brigam entre si por tuítes”, com o foco da China em uma estratégia de longo prazo.

O presidente da Codelco discursou durante a Asia Copper Week, uma série de eventos e encontros organizados pela indústria do cobre do Chile com pares chineses. O otimismo sobre as perspectivas de longo prazo do metal ainda era evidente em Xangai, e a perspectiva era reforçada pelas projeções de escassez emergente a longo prazo. Landerretche disse que o retorno do cobre para US$ 10.000 por tonelada é possível. O preço era de US$ 6.780 em Londres na sexta-feira.

O principal risco para o cobre no ano que vem é que se “peque por excesso em política pública” buscando combater a dívida na China, disse Iván Arriagada, CEO da Antofagasta, outra mineradora chilena, em entrevista separada, em Xangai na quinta-feira. Mas sua avaliação sobre as perspectivas da China mostrou grande convergência com as de Landerretche. “Todos os sinais indicam uma maior confiança em sua capacidade de gerenciar a política monetária e fiscal, e não o contrário.”

 

Fonte: Bloomberg (01/12/2017)


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